Antonio Carlos Ortiz fala sobre geração de resultado e uso do caixa em webinar do Grupo Agros

“O caixa é limitado. Precisamos aplicá-lo onde vai gerar mais caixa no futuro.”

A orientação é do Senior Associate da Centrec Consulting Group, Antonio Carlos Ortiz, que participou de Webinar do Grupo Agros realizada na manhã desta quinta-feira, 20. Respondendo a questionamentos e dúvidas de produtores de diversos estados do país, Ortiz foi claro em mostrar que, para que os resultados da safra continuem positivos, é necessário planejar e definir prioridade, sem jamais perder de vista a importância do equilíbrio.

O especialista também chamou a atenção para o fato de que o stress financeiro na agricultura geralmente é relacionado a crescimento forte e, ou, uso de caixa para outro empreendimento, o que, em regra, acaba em prejuízo.

A seguir, reproduzimos alguns dos conceitos trazidos por Antonio Carlos Ortiz na webinar:

📌 Analisando o desempenho do negócio, ‘cash is king’ (dinheiro é rei);

📌 Quando expandimos, ou acumulamos, usamos mais caixa. Acúmulo de estoques, vendas à prazo, expansão e Investimentos drenam o caixa;

📌 Estoques, contas a receber, lavouras (ou ativos biológicos) são contas de giro;

📌 Caixa fica preso em imobilizado também. Máquinas, infraestrutura e terra são contas de imobilizado;

📌 É importante que o produtor calcule o impacto em capital de giro dada sua forma de operar;

📌 Caixa resultado da operação não vem na mesma velocidade que o uso;

📌 Estoques, prazo de venda, inadimplência, campos em formação… Tudo isso turbina o uso do caixa;

📌 Teste se o retorno compensa a alternativa de alocação de caixa. Teste, também, se a liquidez seria negativamente afetada, antes de imobilizar;

📌 Aumento de custos pode afetar os indicadores: planeje olhando para frente;

📌 Para bom uso do caixa: parte deveria ser sempre reservada para as vacas magras e oportunidades; parte vai para o giro; parte se imobiliza.

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EXPANSÃO

Desequilíbrio entre crescimento e liquidez.

Alguns gestores acabam não planejando suficientemente a demanda de capital de giro para suportar o crescimento desejado.

Isso acaba gerando pressão sobre o caixa da empresa e muitas vezes aumentando o endividamento, que por consequência aumenta as despesas com juros, e reduz os lucros.

Esse ciclo vicioso que se forma pela falta de liquidez pode ser evitado quando se privilegia o processo de decisão racional, planejado e com uso das ferramentas certas.

Portanto, faça um detalhamento de todos os gastos que serão incrementados com o novo empreendimento, revise sua situação de liquidez, trave as pontas na compra dos insumos e simule ao menos 3 cenários distintos para qualificar a decisão!

DRENAGEM PARA OUTROS NEGÓCIOS

Aplicação de recursos da lavoura em outros negócios, sem a definição clara do tempo e das condições de retorno do mesmo.

Este é o caso onde a família ou os sócios possuem um outro negócio alheio à agricultura, na maioria das vezes é uma Revenda de Insumos, uma Cerealista, Sementeira ou um comércio na cidade.

O que os gestores fazem sem se dar conta é misturar o caixa dos negócios e inserir variáveis de risco na agricultura, suportando a demanda de capital de giro do outro negócio com a liquidez da agricultura.

O alerta aqui vai no mesmo sentido do item 1, é preciso tomar cuidado para não afetar a liquidez de modo a se entrar no ciclo vicioso do endividamento.

RETIRADAS PARA A FAMÍLIA

Esse é o grande esforço a ser feito pelos gestores para equilibrar as expectativas da família com as demandas de crescimento e investimento do negócio. A situação aqui é simples, a família tende a crescer mais rápido que os negócios, portanto tenha claramente estabelecido o que a empresa pode e o que ela não pode oferecer à família e siga à risca. Uma empresa que deseja crescer deve reinvestir acima de 70% do seu lucro no próprio negócio.